Cinco de Outubro de 2007
Numa manhã de nevoeiro
Partiram os nossos confrades
Para um almoço porreiro
Mas antes houve ainda tempo
Para tomar um cafezinho
No Despertar da Passarada
Comendo também um bolinho
Aqui começam os insultos
Que ninguém pode entender
Os grandes de barriga cheia
Não deixam os miúdos comer
Perto das oito e meia
Começam a chegar os confrades
Criticam-se logo as fardas
Pondo em causa as liberdades
Chamou a atenção do Paulo
O Moreira de casaco novo
Chamou-lhe o chefe da banda
Que são os confrades do povo
Tirou-lhe a fotografia
Pondo logo tudo a nu
Dizendo ao chefe da Banda
Que foi busca-lo ao baú
Apercebe-se logo o Jorge
Do ferro que o Moreira trás
As malhas e bolas de jogo
Não o deixavam em paz
Alegava que o Moreira
Ia trabalhar no feriado
Pelo ferro que carregava
Deixava-o preocupado
Chega o Amigo Hernâni
Com uns sapatos de lona
Nenhuma senhora os calçava
Só se sofresse da mona
Mas o meu entendimento
Pelos vistos não estava só
Mal os viu, disse o Luís
Que pareciam os sapatos d’avó
Mal o cordeiro chegou
E por ter vindo, bem-haja
Virou-se para o Hernâni
Ouve lá! Pareces uma gaja!
Avistava-se já na rua
O Victor de braço ao peito
Lamentando-se que para mijar
Não lhe dava muito jeito
Queria alguém que o ajudasse
Para isso fez um convite
Explicando que a dor no braço
Era devido a uma tendinite
Pediu primeiro ao Correia
Sendo uma pessoa madura
Oferece-se o Manel Gonçalves
Por ser quase da mesma altura
Três novos elementos
Se juntaram à confraria
O Zé, o Pedro e o Coutinho
Para conviverem este dia
Sejam todos bem-vindos
E muito bem recebidos
Inscrevam-se na confraria
Ficando como efectivos
Basta apenas cumprir
Um pequeno regulamento
Ter as cotas em dia
No dia de pagamento
Lá entramos para o Charter
Proveniente de Lourosa
Sendo o Adriano o Motorista
Para uma viagem honrosa
Por falta de Guia de viagem
Gerou-se ali algum barulho
Ofereceu-se então o Queirós
Que sabia onde tinha o entulho
Lá apareceu o Armando
Para comandar as tropas
Pois naquela confusão
Fechou-se tudo em copas
Foi distribuído de imediato
Dois papeis para entreter
De peripécias e benfeitores
Que deram para alguns ler
Lá fomos na A28
Algum tempo de acalmia
Com pequenas brincadeiras
Do pessoal da confraria
Antes de chegar a Viana
Numa primeira paragem
Alguns tomaram um café
Para acordar na Viagem
Tudo um pouco adormecido
Até que o Victor desata
Mete-se com o amigo Jorge
Implicando com a placa
Na saída para Ponte de Lima
Com pisos inconsequentes
Disse o Victor para o Jorge
Este piso parece os teus dentes
Olhando o braço do Victor
Disse o Tonecas para o Mano
Será que esse problema
Não foi um choque Ucraniano?
Às dez e quarenta e cinco
Chegamos a Ponte de Lima
Terra muito acolhedora
E com muita obra-prima
Zona histórica impecável
Nos arranjos e limpeza
A pedra dos monumentos
Com traços de muita leveza
A frescura desta terra
Boa para quem lá mora
Mas também para forasteiros
Que chegam lá vindos de Fora
Uma estátua bonita
É o Conde D’aurora
Tiramos lá uma fotografia
Antes de vir embora
Lá seguiu para a quinta
Apreensivo o Pessoal
Para o Solar do Martin
Casa de turismo rural
A caminho de Paredes de Coura
Para surpresa da gente
Tínhamos que virar à direita
E seguimos sempre em frente
Em pouco espaço de tempo
O erro foi corrigido
Fizemos inversão de marcha
Sem fazer muito alarido
Algumas dúvidas surgiram
Com ciclista na escolta
Se o autocarro lá chegava
E podia dar a volta
Feito o reconhecimento
Por confrades à frente
Lá seguiu o autocarro
Com o resto da gente
A uma centena de metros
Lá chegamos à entrada
Em que se destacou o Luís
No meio da rapaziada
Vibrou ao entrar na quinta
Por muito boas razões
A primeira coisa que viu
Foram dois grandes leões
As primeiras pessoas que vimos
Eram fiadeiras de linho
Que suavemente o fiavam
E tratavam com carinho
O pessoal dispersou
A tendência é para a fruta
Para colher maçãs e uvas
Não se furtavam à luta
Uma piscina grandinha
Uma rede a baloiçar
Um espaço aprazível
Para o dia passar
Mas aproximava-se a hora
À muito tempo esperada
Para alguns o bacalhau
Para outros a sarrabulhada
Diz o Tonecas ao Hernâni
Deixando-o embasbacado
Este vinho tinto aqui
É um vinho incorporado
Diz o Hernâni. Fala-me de gajas!
Que disso não percebo nada!
Essa história do vinho
A mim nunca me diz nada
E o Queirós transpirava
Era um ambiente pesado
Pediu para abrir a janela
Mas o pessoal estava ocupado
Após alguma insistência
Foi o Luís que reagiu
Perguntou se queria mesmo
E então foi ele que a abriu
Ironicamente o Tonecas
Ficou-lhe muito obrigado
Em nome do seu amigo
Que comia transpirado
Em frente outra se abriu
E passava corrente de ar
O Batista ao apanhá-la
Acabou por contestar
A corrente de ar nas costas
Fazia-lhe doer a tola
Nada que não se resolvesse
Com uma simples camisola
Veio um bife para o Victor
Que estava com a tendinite
O Jorge começa a cortá-lo
Aguçando-lhe o apetite
Logo o Manuel Gonçalves
Vendo o Victor em risco
Diz que Jorge é incompetente
E transforma-se ele no Cristo
Andava o Moreira de pé
Junto a uma empregada
Vira-se o Batista para ele
Arranje-me uma gelada
Não sou seu empregado
Se quiser venha buscá-la
Só procuro uma garrafa
Se a encontrar vou levá-la
Começa a chegar o Bacalhau
Para quem o tinha escolhido
Porque o arroz de sarrabulho
Por eles foi preterido
Mas isto só aconteceu
Enquanto ele não chegou
Quando começou a aparecer
Logo o bacalhau sobrou
Notou-se logo no princípio
Que ainda estavam com medo
O primeiro a esticar o prato
Foi o amigo Alfredo
Foram surgindo propostas
Sem haver grande barulho
Trocar o prato do bacalhau
Pelo arroz de sarrabulho
Aqui uma voz se levanta
O Tonecas a reclamar
Se todos começam a comer
O arroz não vai chegar
Queiroz já satisfeito
Diz ao Victor aleijadinho
Tens que ir para o Galinheiro
Junto do galo manquinho
Diz também ao Ricardo
Algo que o provoca
Vira-se o Ricardo para ele
Pareces uma galinha choca!
Oliveira chama Cordeiro
Pergunta se quer bacalhau
O Cordeiro não o ouvia
Porque o ambiente era mau
Intercedeu o Tonecas
Dizendo que ele não ouvia
O cabelo à frente dos olhos
Quase sempre o impedia. (não tem cabelo)
Tonecas pergunta ao Hernâni
Se quer arroz de sarrabulho
Acenou com a mão que não
Bebendo sem fazer barulho
Entretanto atrás dele
Estava o Daniel e o Alfredo
Há algum peditório? Questionou.
Eu quero é ter sossego!
Uma Senhora da casa
Com o Hernâni pegava
Sabendo estar à altura
De tudo que ele insinuava
Com o silêncio do Sérgio
Eu já estava apreensivo
Até o Queirós Observou
Que estava muito comedido
Chamou o Queirós á atenção
Olha como ele tira o tacho
Tira-o com muito jeitinho
Pondo em dúvida se è macho
Sugerimos a cada confrade
Um comentário final
Sobre o almoço na Quinta
De forma individual
Feito o pedido ao Hernâni
Respondeu-me logo assim
Tirem-me mas é já as barracas
Que estão aqui atrás de mim (pessoas)
Repetiu o pedido à Senhora
Vou Buscar a bassoura!
Mas para cortar o seu cabelo
Trago, mas é uma tesoura!
A Senhora fala com o Jorge
Que veio hoje a Callheiros
Hernâni! Cuidado com a placa!
Ele é pretendido nos Caldeireiros!
É o Costume! Tudo a correr bem!
Diz o Paulo em bom tom
Respondeu também o Zé
Que está tudo muito bom
Não posso fazer comentários
Diz o Armando ao seu jeito
Arranjei o Restaurante
E por isso sou suspeito
O Sérgio ainda a comer
Está tudo muito bom
Limitou-se à autodefesa
Mudando logo de tom
Estou a comer há muito tempo
Mas olhe que eu não sou lateiro
Como pouco de cada vez
Assim os outros comem primeiro
Pedido comentários ao Luís
Já em tom de fim de festa
Só peço que não me chateie
Comi que nem uma besta
O Tonecas respondeu-me
No meio de tanto barulho
Que o que estava muito bom
Era o arroz de Sarrabulho
Para o Queirós, um espectáculo
Mas o frio que o Alfredo tem
Transmite um calor em brasa
Que não me sinto muito bem
Muito Bom! Disse o Oliveira
Já viu o Sérgio? Observou.
Mas o Ricardo comeu mal
E Preocupado eu estou
De seguida fui ao Ricardo
Para ver se estava esquesito
Espectacular! Delicioso!
Recomenda-se e tenho dito!
Foi numa ponta da mesa
Que estava o Pedro em primeiro
Sugeri-lhe um comentário
A resposta foi.. Caseiro.
Para o Madeira Martins
E o pessoal já estava quente
Não só tínhamos boa comida
Assim como bom ambiente
Para o amigo Joaquim
Que ainda estava a curtir
Não sei com quem nem como
Ma promete que vai repetir
Alfredo. Simplesmente divinal!
Nada que não se previsse
Mas em termos de convívio
É uma autêntica javardice
Sempre nestes ambientes
Existem alguns matulões
Que têm falta de “Elan”
Para se comportar em condições
De seguida fui ao Victor
Que logo o contrapôs
O pior foi o Alfredo
E o melhor foi o arroz
Também o Coutinho cedeu
A responder ao meu pedido
Tecendo o comentário.
Bem servido e bem comido.
O Daniel classificou
O almoço de excelente
Agradado também estava
Com aquele ambiente
Para o Manuel Gonçalves
Hoje está muito barulho
Não voltem a pedir bacalhau
E Arroz de sarrabulho!
Piscando os olhos às garrafas
Não vá o diabo tecê-las
Respondeu com um sorriso
Que estava tudo cinco estrelas
No outro lado da Mesa
Logo ao Jorge perguntei
Como tinha sido o almoço
Óptimo!! Por acaso gostei.
Na opinião do Cordeiro
Embora não seja apreciador
Do prato de carne de Porco
Estava com muito bom sabor
Estava bom para o Paulo
Mas não comeu descansado
Com Hernâni à sua frente
E o Moreira ao seu lado
O nosso amigo Batista
Também se pronunciou
Foi dentro do esperado
E foi o quanto bastou
Para o Motorista Adriano
Foi bom mesmo sem licor
Mas o aperitivo da piscina
Para ele foi o melhor
O Hernâni oferece um charuto
Para o Queirós fica sequela
Habituam-se à charutada
Depois andam na lambidela
Levanta-se o Hernâni e vai
Dar um beijinho ao Ricardo
Até choraram de emoção
Com um abraço apertado
Após ter comido a sopa
O Queirós escolhe a frutinha
Com dez qualidades na bandeja
Escolheu laranja que não tinha
O Jorge a comer banana
Meteram-se com ele outra vez (Queirós)
É melhor comer sem os dentes
Imaginem o que ele fez
Numa conversa precedente
Que distraído não percebi
Luís conta que enjoa na viagem
Quando vai à pesca com o Nani
Trabalhar atrás dum balcão
Numa casa de ferragens
Não é nada do outro mundo
Aqui nestas paragens
Mas o Ricardo é especial
E com orgulho ganhou fama
Vendeu pelo dobro do dinheiro
Na casa de ferragens, um pijama.
De seguida fomos ao bar
Tomar o café e o dito cujo
Alguns a descer as escadas
Estavam com cara de marujo
O pessoal começou a dispersar
Curtindo o tempo que resta
Alguns foram para os jogos
Outros dormiram a sesta
O Ricardo fez questão
Que eu devia mencionar
Uma partida que ganhou
Comigo a jogar bilhar
Alguns queriam jogar as cartas
Mas com o Moreira presente
Pegou na mangueira da água
E dispersou aquela gente
Com as bolas guardadas
Fomos jogar a malha
Formamos duas equipas
E voltamos com a tralha
Chegou a hora da piscina
Foram o Hernâni e o Moreira
Com o Madeira Martins
A observar a brincadeira
Foram estes os três banhistas
Porque calções ninguém tinha
Então decidiram observar
O corpo que cada um tinha
E o Tonecas a porta-voz
Logo deu o resultado
Que o corpo do Moreira
Era o mais mal ajeitado
Não observei de seguida
Uma cena muito breve
O Hernâni mostrou o cu
Branquinho como a neve
Mais coisa menos coisa
Por volta das dezoito horas
Lá fomos para o lanche
Não havendo mais demoras
Camarão e presunto
Com broa e feijoada
E ainda molho verde
Consolou a rapaziada
Ainda houve algum tempo
Para no sofá descansar
Juntou-se um cão à festinha
Que o Hernâni pôs a dançar
Antes de vir embora
O Luís teve o ensejo
De pedir ao Manuel Gonçalves
Que lhe arranjasse um bom queijo
Mas teve a preocupação
Por isso logo esclareceu
Atenção. O queijo é de Celorico.
Terra onde o Manel nasceu.
Por volta das 19h30
O pessoal lá regressou
Directos à Mãos à Obra
E no regresso não parou.
Abstenho-me de comentar
O que se passou pelo caminho
Sugerindo que para o ano
No autocarro não entre vinho
Ao Branquinho e ao Jordão
Ao Manel e ao Ferreira
Uma palavra aos ausentes
Que são gente porreira
Gostei muito do passeio
Numa avaliação global
Espero que para o ano
Volte todo o pessoal
Um grande Abraço
Domingos
(o Postiga)
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