16 junho 2007

Jantar do Zé

Boa noite meus senhores
Bem vindos a este jantar
Queria falar sobre o Zé
Mas não sei como começar

Tudo o que possa dizer
Fica aquém do que queria
Porque as suas qualidades
Revelavam-se no dia a dia

Estava eu em Coimbra
Nesta cidade do fado
Quando vi um rapaz
Que era muito calado

Em 1974
Quis um dia o destino
Frequentar o mesmo estágio
Ainda eu era menino

Vindo eu duma aldeia
Só pensava no estudo
Fiquei um pouco apreensivo
Ao ver um tipo cabeludo

Que raio de tipo é este
Que me havia de aparecer
Surpreendeu-me pele positiva
Quando o vim a conhecer

Só quem conviveu com ele
Durante anos a fio
Sabe que as suas qualidade
Até o tornavam doentio

Sempre pronto a colaborar
Não querendo cobrar nada
Para ajudar um colega
A sua vida sacrificava

Muita gente o conhece
Mas poucos sabem quem é
Conhecem-no pelo Amaro
Mas os amigos pelo Zé

Se o Amaro é um colega
O Zé é um grande amigo
Que despe a sua camisa
Para dar a um desconhecido

Se alguns bem o conhecem
E pensam ser seu amigo
Desconhecem a sua grandeza
Ao ponto de ser incompreendido
Existem valores neste mundo
Quase sempre insuperáveis
Mas os pergaminhos do Zé
Esses não são mensuráveis

Dou-vos um pequeno exemplo
Daquilo que ele é capaz
Para terem uma pequena ideia
Das virtudes deste rapaz

Um dia estava a chover
E nessa altura eu namorava
Obrigou-me a levar o seu carro
E disse que ele se arranjava

Algumas vezes no trabalho
Estava eu de prevenção
Fazia a chamadas por mim
Sem aceitar um tostão

Profissional e competente
Foi a sua postura na vida
Infelizmente na empresa
Nunca foi reconhecida

Há muita gente que sobe
Pelo espalhafato que faz
Mas a sua forma de ser
Levou-o a ficar para trás

Intransigente na defesa
Dos princípios da justiça
Norteia a sua conduta
Na defesa quem mais precisa

Fraternidade e solidariedade
São dois dos seus emblemas
Preocupa-se mais com os outros
Esquecendo os seus problemas

Obrigado amigo Zé
Por eu te ter conhecido
Por tudo o que me ensinas-te
Sem te ficar agradecido

Continua a ser o Zé
Que eu sempre conheci
Foste um colega ímpar
De todos os que convivi

Neste momento especial
Que nos juntou neste espaço
Recebe em nome de todos
Um forte e especial abraço
Cardoso

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DURANTE o JANTAR:
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Estava de férias em casa
Recebi uma chamada do Pedro
Pr'a ir ao jantar do Amaro
Organizado pelo Mário Figueiredo

Disse logo que sim
Tinha que estar disponível
Porque eu nestas questões
Sou sempre muito sensível

Vim mais tarde a saber
Onde era o Restaurante
Perto de Padrão de Moreira
Cheguei cá num instante

Para mim desconhecido
De seu nome Vila Verde
Como trouxe o carro comigo
Tive que passar muita sede

Deparei com um problema
Que era ver o meu clube
Futebol Clube do Porto
Não há ninguém que o derrube

Acabei por vir mais cedo
E cheguei cá em primeiro
Fui ter com um empregado
Que era um tipo porreiro

Mandou-me subir para a sala
E ligou logo o televisor
Para eu curtir o futebol
Que o meu clube sabe impor

Chegou o Amigo Arménio
Passado quase 1/4 de hora
Preocupado com o frio
Vestiu o casaco sem demora

Em terceiro veio o Quintelas
Até já estava esquecido
Tive que lhe perguntar
Por estar um pouco perdido

Feliz com a vida que leva
Sempre muito sorridente
É bom estar aposentado
E aconselha-o a toda gente

Surge entretanto o Amaro
Parecia um pouco cansado
Acabando por confessar
Que muito tem trabalhado

Ainda bem que é assim
Ocupado a tempo inteiro
Senão ficava preocupado
Como gastar o dinheiro

Perdi o fio à meada
Mas penso que foi o Pimenta
Que chegou a seguir
Com a sua passada lenta

Não sei quem veio a seguir
Por ser uma pessoa esquecida
Mas o Marcelino e o João
Chegaram logo de seguida

Entretanto o Renato
Já cá tinha chegado
Não me posso esquecer
Senão ficava chateado

Não sei qual foi a ordem
Mas chegaram três quadros
Paula, Cristina e Antónia
Que eram muito esperados

Em quase todos os eventos
São pessoas inseparáveis
Com trato muito afável
E outros valores incalculáveis

Cansado por não comer
Embora já não seja cedo
Já me estava a esquecer
Do nosso Mário Figueiredo

Por imposição do Arménio
Tive que interromper
Para começar a jantar
E acabei por me esquecer

Olhei para a minha direita
Vi o Jonatas a conversar
Com o Mário Figueiredo
E o tempo sempre a passar

Na cabeceira a Fernanda
Observava sorridente
Para o fundo da mesa
O comportamento da gente

Bem precisa de descansar
E não gastar muita saliva
Porque durante todo o dia
Andou numa roda-viva

O Eng. Carlos Almeida
Ao lado da Anabela
Ele a falar para direita
E o Arménio a falar com ela

Não esqueçamos dois colegas
O Luís e o Vilas Boas
Pelo que conheço deles
São duas boas pessoas

Tive que perguntar ao Zé
Qual o nome do Matos
Isto de beber ao Jantar
É pior que os maus tratos

O Arménio na tentativa
De me poder desconcentrar
Preocupou-se com os versos
Que eu estava a elaborar

Enganou-se redondamente
Porque não vou nessa onda
Mesmo que a mesa quadrada
Me possa parecer redonda

Resta-me agora ouvir
E estar um pouco atento
Observando as conversas
Que decorrem no momento

Num barulho infernal
Deu para observar
São mais feios os homens a rir
Que as mulheres a chorar

O Arménio preocupado
Começou-me a ameaçar
Se eu escrevesse alguma coisa
Que o pudesse afectar

Nem pensei em tal coisa
De sobre ele escrever
Mas se quer protagonismo
Um versinho vai ter

Sempre muito bem disposto
Durante estas ocasiões
Mas quando bebe um copito
Gera algumas confusões
(estou a bricar)
É evidente que no momento
Ali ele não se apercebe
Contando-lhe as peripécias
Diz que na próxima não bebe

Mas o homem da noite
É o nosso amigo Zé
Quando chegava um convidado
Punha-se logo de pé

De trato muito afável
Tem sempre um o sorriso
Sempre disposto a ajudar
Naquilo que for preciso

Só para terminar
Porque ficava esquecido
O colega João Soares
Que também é um amigo

Para o Mário Figueiredo
Fica o meu obrigado
Pelo trabalho que teve
E por nos ter convidado


Um abraço a todos

Cardoso

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