16 junho 2007

Os 49 Anos do joão Soares

No dia 5 de Janeiro
De 1955
Saí para este mundo
Por uma porta sem trinco

Ao vir cá para fora
Pensei que me libertava
De um meio pequenino
Onde só me enrolava

No meu pequeno mundo
Vivia da placenta
Era uma comida boa
Mas não tinha ementa

E nestas coisas do tacho
Gosto muito de escolher
E além disso há outras coisas
Que eu também queria ver

Quando saí cá para fora
Senti outra liberdade
O mundo era um oásis
Que grande felicidade

Todos me acariciavam
E eu na minha ingenuidade
Não tirava proveito
Daquela realidade

Havia muita gaja boa
Que me dava um beijinho
Não podia fazer nada
Porque era um anjinho

Um anjinho pequenino
Cheio de felicidade
Sinto-me arrependido
De tanta ingenuidade

Entretanto fui crescendo
E vi que a vida diferente
Não sendo compreendido
Neste mundo pela gente

Gente que me rodeava
Principalmente os meus pais
Mal eu dava dois passos
Perguntavam. Onde vais?

Que raio de vida esta
Que não é o que eu pensava
Preferia a liberdade
Da barriguinha onde estava

Com o andar do tempo
Esperava pela escola
Mas era só para estudar
Dando-me cabo da tola

Estudar não era comigo
Porque eu era brincalhão
Bastava ter uma bola
Para gerar confusão

No meu bom entendimento
Fazia tudo ao contrário
Um dia nem sei como
Fui parar ao seminário

Se calhar fui para lá
Para me medirem o pulso
Por tão bom comportamento
Tive que ser expulso

Mas a culpa não foi minha
Foi de me terem mandado
Queriam que eu fosse padre
Mas saiu tudo furado

Ainda bem que assim é
Porque eu gosto da vidinha
Passeando as ruas
E molhando a vistinha

Sinto-me muito feliz
Por aquilo que gozei
Por ter feito o que fiz
E que muito gostei

Faço 49 Anos
Tenho muitos amigos
Há outros que o não são
Mas para mim desconhecidos

Mereço os parabéns
Desta forma que mais mereço
Vindo eles de quem vem
De certeza que não esqueço.

Do Cardoso:

João lamento a opção
De ter vindo trabalhar
Ao teres lido estes versos
Já podeste descansar.

Parabéns e Um abraço
Cardoso

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