No dia 5 de Janeiro
De 1955
Saí para este mundo
Por uma porta sem trinco
Ao vir cá para fora
Pensei que me libertava
De um meio pequenino
Onde só me enrolava
No meu pequeno mundo
Vivia da placenta
Era uma comida boa
Mas não tinha ementa
E nestas coisas do tacho
Gosto muito de escolher
E além disso há outras coisas
Que eu também queria ver
Quando saí cá para fora
Senti outra liberdade
O mundo era um oásis
Que grande felicidade
Todos me acariciavam
E eu na minha ingenuidade
Não tirava proveito
Daquela realidade
Havia muita gaja boa
Que me dava um beijinho
Não podia fazer nada
Porque era um anjinho
Um anjinho pequenino
Cheio de felicidade
Sinto-me arrependido
De tanta ingenuidade
Entretanto fui crescendo
E vi que a vida diferente
Não sendo compreendido
Neste mundo pela gente
Gente que me rodeava
Principalmente os meus pais
Mal eu dava dois passos
Perguntavam. Onde vais?
Que raio de vida esta
Que não é o que eu pensava
Preferia a liberdade
Da barriguinha onde estava
Com o andar do tempo
Esperava pela escola
Mas era só para estudar
Dando-me cabo da tola
Estudar não era comigo
Porque eu era brincalhão
Bastava ter uma bola
Para gerar confusão
No meu bom entendimento
Fazia tudo ao contrário
Um dia nem sei como
Fui parar ao seminário
Se calhar fui para lá
Para me medirem o pulso
Por tão bom comportamento
Tive que ser expulso
Mas a culpa não foi minha
Foi de me terem mandado
Queriam que eu fosse padre
Mas saiu tudo furado
Ainda bem que assim é
Porque eu gosto da vidinha
Passeando as ruas
E molhando a vistinha
Sinto-me muito feliz
Por aquilo que gozei
Por ter feito o que fiz
E que muito gostei
Faço 49 Anos
Tenho muitos amigos
Há outros que o não são
Mas para mim desconhecidos
Mereço os parabéns
Desta forma que mais mereço
Vindo eles de quem vem
De certeza que não esqueço.
Do Cardoso:
João lamento a opção
De ter vindo trabalhar
Ao teres lido estes versos
Já podeste descansar.
Parabéns e Um abraço
Cardoso
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